Joanna Perco - Programa 196 PDF Imprimir E-mail

ImageAbandonada pelo pai na infância, ela viveu uma vida triste, depressiva e solitária.

Joanna: 
O modo como eu vim parar neste mundo está ligado a um relacionamento... Não digo eventual, mas muito curto, um período bem rápido entre minha mãe, que na época tinha 19 anos, e meu pai.

Minha mãe ficou grávida e meu pai, bom... Desde então não tive contato com ele nem sequer quando nasci. Ele nunca apareceu. Tenho uma lembrança muito boa de uma mãe muito carinhosa que sempre queria estar presente, sempre aparecia com algum presentinho, sempre fazendo com que me sentisse especial, mas como ela era muito jovem e teve que abandonar os estudos, começou a se dedicar cada vez mais ao trabalho, só trabalhava e bom, o tempo que ela tinha pra se dedicar a mim foi ficando cada vez mais curto, e assim me lembro de passar muito tempo sozinha, com minha avó. A solidão me acompanhou na infância e a tristeza me acompanhou na adolescência. Não sabia por que, mas eu podia ser alegre, extrovertida onde estudava, mas eu não podia controlar o que estava acontecendo, e era uma coisa que me deixava mal, eu começava a chorar e não saía de onde estava. Sempre me dava um aperto no peito e, além disso, eu não me achava bonita, não me dava valor. Foi aí que comecei a considerar seriamente que eu não tinha sido valorizada pelo meu pai e isso, inconscientemente, acho que foi o ponta pé inicial para que a tristeza se tornasse minha segunda companheira na vida. O rádio sempre foi algo muito presente na casa da minha avó, ela sempre escutava programas evangélicos, eu sentia que era isso o que me fazia companhia. Era o que quebrava a minha solidão, o que quebrava a tristeza. Eu sentia que podia vir até mim, entrar em mim e me fazer sentir bem, através de uma palavra, e isso quando eu era muito menina, nem sei quem falava no rádio.

Clube 700: 
Os anos passaram e a companhia do radio não foi suficiente.

ImageJoanna: 
Quando estava saindo do segundo ano da faculdade, digamos que a tristeza estava se transformado em depressão. Comecei a ter períodos em que chorava descontroladamente, me sentia mal, me sentia impotente, não sabia explicar o que acontecia, mas tenho muita certeza que eu, naquela época, precisava conhecer Deus. Voltei de férias e fui direto para a faculdade. Fiquei surpresa ao ver uma amiga lá nesse período. E ela me falou sobre um acampamento. "Como você está querendo conhecer Deus, acho que vai gostar desse acampamento, e vai ter muita gente". Na hora pensei, “essa menina está louca”. Ela argumentou de todas as maneiras possíveis que não era por acaso que eu estava ali naquele lugar.

Clube 700: 
A busca de Joanna continuava.

Joanna:
Tinha um livro em casa, que deram de presente pra minha avó, que se chamava “você é ou não é cristão?”. E o autor do livro, que é Luis Palau, disse: “bom, o motivo pelo qual escrevo este livro. É para contar como conheci Cristo, em um acampamento em 12 de fevereiro de 1956”, e o acampamento começava em 12 de fevereiro de 2001. E eu entendi dentro do meu coração que Deus me dizia, “quero ter um encontro contigo em 12 de fevereiro de 2001”. Senti como se o teto da minha casa tivesse desabado, que tudo tinha caído sobre mim e se eu não me decidisse logo, Deus ia tocar a campainha. Não sei, ia fazer alguma coisa pra me tirar de casa.

Clube 700:
Joanna mudou de idéia. Ligou para sua amiga e resolveu ir para o acampamento.

ImageJoanna:
Me lembro que na primeira noite quem estava no palco, falando à frente do discurso, desafiando os jovens, também me desafiou e lembro que saí dali e simplesmente comecei a chorar. Eu lembro na manhã seguinte, havia uma pessoa falando e no final do discurso, disse: “bom, Deus está esperando que você o escolha.” E me lembro que disparei a chorar e disse a Deus: "Deus, não tenho forças. Não tenho a valentia suficiente, a coragem necessária pra arrumar uma desculpa hoje pra essa decisão. Não sei como vai fazer, mas se este é um sinal pra que eu me entregue, eu te entrego a vida. Não sei, faça o que pode fazer", eu disse tudo. E pela primeira vez pude associar a figura de Deus a alguém que tem poder, a alguém que pode ajudar e ao mesmo tempo, cumprir esse papel de pai. Tem gente que me olha agora e diz, "Joanna continua tão alegre quanto antes". A grande diferença às vezes está por dentro, não é? E que, na verdade, é duradoura.

ImageClube 700:
Hoje Joanna trabalha como locutora de rádio, realizando seu sonho de adolescente.

Joanna: 
Essas coisas de Deus que acontecem são inacreditáveis. Entendi que não era algo pra mim, mas que era uma coisa que Deus me dava para passar para outros que, como eu, precisam escutar que Deus está disposto a investir em vidas que talvez se perguntem "o que ele pode fazer?". Bom, eu sou um investimento de Deus!

Clube 700:
Com sua nova vida em Cristo, a solidão se foi e a tristeza se converteu em alegria, que foi crescendo ao conhecer Marcelo.

Marcelo: 
É claro que não vejo essa solidão nela, essa insegurança, essa baixa auto-estima. Ela é uma pessoa segura, plena. Sem dúvida não tem nada a ver com a pessoa que ela diz que era.

Joanna:
Hoje não sinto rejeição, não tenho solidão, não há tristeza no meu coração, me sinto valorizada, me sinto amada, tenho uma identidade em Deus. A verdade é que foi maravilhoso, sério, eu nunca, jamais, voltarei a ser como antes.

 
< Anterior   Próximo >